As novelas globais tem se tornardo o motivo de reflexão para os brasileiros, já que não há um espaço para o debate público. A Ágora grega era um espaço onde os cidadãos podiam debater os problemas do seu cotidiano e leva-lós a reflexão. No momento, a emissora globo transmite uma novela cujo tema é a religião indiana que preserva os costumes milenares do povo da Índia. Observando mais atentamente, o Budismo está para o Induísmo assim como o Judaísmo está para o Cristianismo, se formos compara-lós. O Budismo era a religião da libertação e qualquer um, independente das castas, poderia ser um Buda, ou seja, um iluminado desde que se fizesse certos preceitos e fosse um iniciado para alcançar a iluminação. No caso do Cristianismo, Deus convida a todos para segui-ló. Mas, nem todos podem ser um Induísta ou um Judeu., pois tem que nascer Judeu ou Induísta. Como posso ser algo antes de nascer? Não posso ser aprioristicamente, só posso ser quando me tornar, ou seja, aposteriore. O filósofo alemão Hegel, que influênciou Karl Marx, dizia que a religião do povo está intrinsecamente ligada ao Estado. Dessa forma, a história do mundo coincide com as histórias das religiões. Como pode haver uma nação plena sem religião? O próprio Imperalismo americano nasce com a religião do povo. Os estadunidenses tiveram como objetivo ser o povo escolhido para o avanço do oeste americano, partindo das treze colonias, muito embora custasse a matança do povo indigina local. Na Europa uma pequena seita que veio do oriente iria se tornar uma das maiores religiões do mundo, como é o caso do Cristianismo. Se no Brasil negamos tudo isso, como podemos nos tornar uma nação plena, como dizia Hegel? Precisamos inventar outras formas de totem! Ou não, como diz Caetano!
FELIPE MENEZES